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Série Cinema & Antropologia

Cinema & Antropologia: os bastidores do filme etnográfico visa apresentar aos universitários e ao público em geral, os vídeos realizados por cientistas sociais no âmbito de suas pesquisas. Ao criar mecanismos que permitam divulgar, para um público mais amplo, os resultados imagéticos destes trabalhos, Cinema & Antropologia procura estimular o debate sobre as condições de elaboração de um audiovisual científico no campo das Ciências Sociais.

Cada programa é composto de uma entrevista com o pesquisador e da exibição de seu vídeo. São discutidas as condições de realização da pesquisa e do filme, as formas de interação com as pessoas filmadas, as particularidades de cada um, a relevância do uso da imagem nas ciências sociais, entre outras.

Catálogo Cinema & Antropologia. Os bastidores do filme etnográfico

Coordenação: Clarice Ehlers Peixoto

Programas apresentados na TV Universitária do Rio de Janeiro/UTV

  1. Os segredos da mata, Dominique Gallois, 28 min., 1998, Br.
    O vídeo apresenta quatro fábulas sobre monstros canibais da floresta, narradas e interpretadas pelos índios Waiãpi.
  2. Arca dos Zo’é, de Dominique Gallois e Vincent Carelli, 22 min., 1993, Br.
    O vídeo mostra o encontro entre dois grupos indígenas de língua Tupi: os Zo’é e os Waiãpi. Os Zo’é, começam a viver a experiência do contato que os Waiãpi tiveram 20 anos atrás. Durante o encontro, eles comparam suas tradições, seus mitos e sua história.
  3. Os velhos na propaganda, Guita G. Debert, 18 min., 1998, Br.
    A imagem dos velhos transmitida nas publicidades da TV: a representação dos publicitários sobre velhice e o feed-back dos velhos sobre as propagandas.
    e
    Em busca do pequeno paraíso, Clarice Ehlers Peixoto, 19 min., 1993, Br.
    Em Paris, para escapar da solidão, duas senhoras se encontram na praça, vão às compras e ao café. Ao assistirem as imagens das práticas de sociabilidade dos velhos cariocas (vôlei, baile na praça e jogo de cartas), elas lembram da juventude e falam sobre a velhice e suas dificuldades.
  4. Jean Rouch, subvertendo fronteiras, Ana Lucia Ferraz, Edgar Teodoro da Cunha, Paula Morgado, Renato Sztutman, 41 min., 2000, Br.
    Conversas com o antropólogo-cineasta Jean Rouch em São Paulo e em Paris nas quais se discute seus filmes mas, também, cinema-verdade, etnoficção, antropologia compartilhada.
  5. Habitantes de rua, Claudia Turra Magni, 52 min., Br.
    Sobre as diferentes populações de rua em Porto Alegre. As imagens distinguem os grupos e permitem uma intimidade do espectador com esse universo da vida urbana.
  6. Meninas Mulheres, José Roberto Novaes, 23 min., 1999, Br.
    O dia a dia de famílias que se reproduzem fora dos modelos idealizados pela sociedade, enfrentando situações de desemprego, falta de moradia. Famílias que se reproduzem em estreita convivência com as drogas, gravidez precoce, prisões… retratos de meninas que se tornam mulheres e mães aos 12 anos.
    e
    Sonhos de criança, José Roberto Novaes, 17 min., 1994, Br.
    O filme registra as várias faces de uma realidade distante dos direitos contidos no Estatuto da Criança e do Adolescente, e próxima da situação de exclusão social que caracteriza adultos e crianças na agroindústria brasileira.
  7. Conversas de crianças, José Roberto Novaes e Paulo Pestana, 22 min., 1998, Br.
    Através de histórias contadas por crianças e adolescentes, o vídeo apresenta o cotidiano nos assentamentos do Movimento dos Sem Terra. Imagens e falas tecem suas relações com o trabalho, a escola e as brincadeiras, mostrando importantes aspectos da vida familiar daqueles que lutam pela terra.
    e
    Meninos da roça, José Roberto Novaes, 18 min., 1994, Br.
    Na periferia de Campos, empreiteiras ou gatos arregimentam para o trabalho a maior parte dos 40 000 canavieiros empregados na safra da cana. Desse contingente participam os meninos e meninas da roça.
  8. 8. Pomba Gira, Maja Vargas e Patrícia Guimarães, 13 min., 1998, Br.
    Personagem feminino mítico que vem do inferno para resolver questões domésticas e sexuais. Na favela da Rocinha, mulheres desta e de outras vidas falam basicamente de homem.
    e
    E por aqui vou ficando…, Pedro Simonard, 20 min., 1993, Br.
    A história de um cortiço do centro do Rio de Janeiro, ameaçado de despejo. Os rearranjos familiares e as reformas nos antigos cômodos, transformados em apartamentos.
  9. O Arco e a Lira, de Priscilla Ermel, 18 min, 2001, Br.
    Este vídeo trata da arte musical do arquinho feminino iridinam, tocado exclusivamente pelas mulheres da aldeia dos índios Gavião Ikolem, de Rondônia, para expressar seus sentimentos amorosos.
  10. Saudade, Bela Feldman-Bianco, 57 min., 1991, Br.
    Histórias de portugueses que imigraram para a cidade americana de New Bedford, uma das maiores colônias portuguesas do país. O vídeo lança mão de filmes de época e fotografias, resgatando a história e a cultura locais.
  11. A Palavra que me leva além: estórias do Hip Hop Carioca, de Emilio Domingos, Bianca Brandão e Luisa Pitanga, 30min, 1999, Br.
    O vídeo apresenta os quatro elementos básicos da cultura Hip Hop : o break, o grafite, o Mc e o DJ. Percorrendo diversos itinerários, o documentário mostra as especificidades do rap carioca, caracterizado pela ousadia e diversidade musical.
  12. Mauss, segundo suas alunas, de Carmem Silvia Rial e Miriam Grossi, 45min, 2002, Br. OK
    As três primeiras antropólogas francesas que realizaram trabalho de campo na África – Germaine Dieterlein, Denise Paulme e Germaine Tillion – falam sobre a obra e a trajetória de seu professor Marcel Mauss, fundador da antropologia.
  13. O resto é o dia a dia, de Andréa Barbosa, 11 min, 2002, Br.
    O vídeo apresenta a cidade de São Paulo e como ela é construída cotidianamente pelos sonhos, memórias e afetos de cada um de seus moradores.
    e
    Microfone, senhora, de Rose Satiko Hikiji, 16 min, 2003, Br.
    Jovens internos na Febem Tatuapé participam da gravação de uma música para o CD de um grupo de rap em São Paulo e se apropriam do microfone ora assumindo o papel de repórter ou entrevistado, ora fazendo música ou narrando a situação de internação, seus sonhos e expectativas. O vídeo conta ainda com imagens das oficinas de vídeo realizadas pela autora em 1999, ano das mais violentas rebeliões da história da Febem.
  14. Ponteio, de Francisco Simões Paes e Camilo Morano Vannuchi, 54min, 2001, Br.
    A história da viola contada e cantada por violeiros paulistas e mineiros. Percorrendo o interior desses dois estados, os realizadores mostram as diversas versões, ritmos e usos da viola.
  15. Mulheres de luta, de Patrícia Gouveia, 17min, 1998, Br.
    Portadora do vírus HIV, Valda participa de um Programa em Saúde Preventiva, baseado na informação, educação e comunicação para prevenção da AIDS no morro do Borel (RJ) onde mora.
  16. Surumi: as metamorfoses da Virgem, Virginie de Véricourt, 36 min., 1998, Fr.
    Na região ao norte de Potosi, na Bolívia, no mês de agosto, o vilarejo de Surumi se transforma no teatro dos que veneram a Virgem. Os peregrinos que vêm de fora, pedem graças e bens materiais à Virgem de Surumi enquanto para os camponeses da região, a festa de é a ocasião do encontro ritual no qual se afrontam duas comunidades opostas.
  17. ;Maria Lacerda de Moura – trajetória de uma rebelde, de Miriam Moreira Leite e Ana Lucia Ferraz, 33 min., 2003, Br.
    A atualidade dos problemas abordados por Maria Lacerda, referentes à repressão feminina pela família, pelo Estado e pela Igreja, à guerra suicida a que o capitalismo estava levando as nações e a coragem com que esta professora mineira lutou pela liberdade de pensamento, contra todas as formas de autoritarismo no início do século XX, inspiraram a composição deste vídeo.
  18. Guariba – 1984, de José Roberto Novaes, 11 min., 2002, Br.
    O fio condutor do vídeo é a exibição de imagens dos dias da greve de 84, na inauguração da sub-sede do sindicato no bairro de João de Barro, em agosto de 2001. Realizado no mesmo bairro em que se destacou a violência policial de 84, este documentário registra a preocupação dos sindicalistas em resgatar a história e incorporar a memória do passado nas lutas do presente.
    e
    A memória em nossas mãos, de José Roberto Novaes, 16 min., 2002, Br.
    Tornando vivas as lembranças da “Greve de Guariba” de 84, os personagens deste documentário falam sobre o presente. Na mais rica região do país, homens e mulheres descrevem as precárias condições de vida e de trabalho. Dezessete anos depois da greve, avaliam os ganhos, as perdas impostas pelas mudanças tecnológicas e novas formas de gestão do trabalho agrícola e constroem alternativas.
  19. Família Tetra, Emilio Domingos, Fabiene Gama, Lucia Albuquerque e Maria de Andrade, 50 min, 2003, Br.
    Rio de Janeiro, Morro do Cantagalo: 1994. Quatro jovens comemoram o tetra campeonato da seleção brasileira na Copa do Mundo de Futebol. Espontaneamente, com 50 crianças e adolescentes criam a Família Tetra, associação cujo vinculo é a amizade. Promovem jogos de futebol, festas e reuniões na comunidade. O vídeo mostra o cotidiano e as dificuldades para manter a união do grupo. Um outro tipo de família.
  20. Vulgo Sacopã, André Reyes Novaes e Pedro Urano, 26min, 2002
    O vídeo apresenta o eremita Antônio que vive na encosta do Pico do Sacopã, no coração da zona sul carioca. Enquanto luta pela posse da terra onde vive, ele observa o mundo, cultiva ervas medicinais e faz pintura. Um universo cujo cotidiano inspira narrativas míticas e encerra os conflitos que regem o processo de desenvolvimento e urbanização Entre os prêmios que recebeu estão o de Melhor Documentário do Vide Vídeo (2002) e o prêmio Destaque em Retrato Humano no 8° Festival de Cinema Universitário.
  21. Bebela e a revolução gaúcha de 1923, de Clarice E. Peixoto, 40 min, 2004, Br.
    Ao longo dos seus quase 102 anos, Bebela guardou na memória os acontecimentos da revolução gaúcha de 1923, da qual ela participou ao lado do pai e do marido, em Cruz Alta, sua cidade natal. Durante mais de 10 anos, registrei os relatos de minha avó sobre a importante participação feminina nesta revolta, revelando a singular atuação das mulheres nos episódios políticos brasileiros. Muitas fotografias e recortes de jornais animaram nossas conversas, entrelaçando assim os fragmentos de sua memória.
  22. Jon Joηu-Nε. Territórios da loucura, de Denise Dias Barros e Gianni Puzzo, 22 min., 2000, Br.
    Este vídeo faz parte de pesquisa de doutorado realizada nas terras Dogon, sociedade negro-africana da República do Mali (África do Oeste). É possível trilhar através de seu percurso algumas das proposições da sociedade Dogon para o entendimento da loucura.
  23. A morada das águas, de Ana Luiza Carvalho da Rocha e Rafael Devos, 25 min, 2003, Br.
    Este vídeo levanta algumas questões sobre a relação entre memória coletiva, narrativa e espaço fantástico com referência ao Parque Estadual Delta do Jacuí, reserva ambiental que envolve o território das ilhas de Porto Alegre, RS. Através das narrativas de quatro moradores sobre lugares “assombrados”, busca-se investigar os significados atribuídos a esses espaços abandonados.
  24. Ciranda, cirandinha, Claudia Fonseca, 27 min., 1994, Br.
    A partir do depoimento de mães, avós, madrinhas e crianças, o vídeo mostra a trama das relações sociais que respaldam a circulação de crianças nos bairros populares em Porto Alegre.
  25. Santos Dumont, de Henrique Lins de Barros, 60 min., 1999, Br.
    Este vídeo focaliza a vida e a obra de um dos homens mais importantes da história da aviação, o inventor brasileiro Alberto Santos Dumont. Através de fotos e filmes de época, recupera os caminhos que percorreu, desde a conquista da dirigibilidade dos balões com soluções aerodinâmicas para eleva-lo e mantê-lo no ar ao vôo do 14bis.
  26. Senhora Aparecida, de Catarina Alves Costa, 55 min., 1994, Portugal.
    Na cidade de Aparecida, ao norte de Portugal, a população prepara a festa religiosa anual: os andores são decorados assim como os caixões onde os penitentes desfilam para pagar suas promessas. Recém-chegado à aldeia, o jovem padre quer terminar com a tradição, criando um conflito com os pagadores de promessa. O filme mostra a religiosidade tradicional e a modernidade religiosa.
  27. O arquiteto e a Cidade Velha, de Catarina Alves Costa, 72 min., 2003, Portugal.
    O arquiteto português Álvaro Siza é convidado a coordenar a recuperação da Cidade Velha, no Cabo Verde, que se candidata a Patrimônio Mundial da Unesco. O projeto suscita expectativa de melhoria das condições de vida na população local, mas como lugar histórico, primeira cidade fundada pelos portugueses, deve retomar sua estrutura original: telhados de palha. O filme mostra o encontro entre os políticos locais, o arquiteto e a população e as negociações travadas ao longo de três anos.
  28. Um casamento no Paquistão, de Sylvia Caiuby Novaes, 46min, 1994.
    A antropóloga brasileira acompanha os preparativos para a festa de casamento de uma jovem paquistanesa: a escolha dos tecidos para os vestidos, a pintura das mãos e pés, a preparação do salão de festas, os convidados… Tudo isso, entremeado das conversas e brincadeiras das mulheres enquanto se organizam na preparação da festa.


Próximos Programas

Faces in the crowd, de Paul Henley, 40min, 1994.
O filme segue um grupo de “fãs reais”, que viaja por todo o país para encontrar os membros da família real nas manifestações públicas. Eles ficam horas e horas e horas, às vezes passam a noite, esperando encontrá-los na manhã seguinte. Chegam cedo para pegar um lugar exatamente em frente de onde os membros reais irão passar. Levam flores, retratos e tiram fotos para mostrar aos outros.